A Torre de Babel continua na nossa vida até hoje.

Com certeza todos vocês já ouviram falar da Torre de Babel. O livro  Gênesis na Bíblia Sagrada conta que os povos falavam uma só língua e, por causa do seu desejo de se aproximar de Deus, as pessoas resolveram construir uma edificação tão alta que chegaria aos céus. No entanto, percebendo essa audaciosa ação, Deus destruiu a torre, pôs fim ao plano ambicioso, e, como consequência, a língua, que até então era única, multiplicou-se por um incontável número, e desde então os povos não se entenderam mais. A partir desse cenário, os povos se instalaram em diversos pontos do planeta Terra cada um com a sua própria língua e consequentemente com crenças e costumes próprios.

Quando penso sobre o multiculturalismo, o intercâmbio cultural entre vários  povos  cada qual com a sua crença e valores me pergunto: se ainda hoje não é fácil se comunicar imaginem há milhares de anos?

Se voltarmos na história veremos que os homens primitivos faziam pinturas nas paredes das cavernas para deixar mensagens, demarcar seu território e mostrar que “ele” vivia ali e era quem dominava o pedaço. Esses desenhos são hoje chamados de “pinturas rupestres”.

Mas os homens sentiram que era necessário comunicar-se entre si, mesmo quando viviam afastados. Assim nasceram os sinais de fumo e os sonoros. A África utilizava a linguagem dos tambores com códigos, sendo uma espécie de telégrafo da época. Os índios americanos se comunicavam através de fogueiras e só eles entendiam esses símbolos de fumaça.

Com o decorrer do tempo o homem inventou uma das formas mais importantes da comunicação: a escrita. Os primeiros livros foram escritos em pergaminho, pelos monges.

A Igreja, por sua vez, na Idade Medieval, financiou obras de grandes artistas para se comunicar com seus fiéis e catequizá-los. A arte era uma maneira de sensibilizar os seus seguidores.

 

O tempo foi passando e o homem foi descobrindo novas formas de ir mais longe. Os pombos foram treinados para levar mensagens para zonas mais distantes.

O surgimento da escrita deu origem ao uso de cartas como meio de comunicação. Surge assim o correio que era levado por mensageiros a cavalo ou a pé de cidade em cidade.

Alguns séculos mais tarde surge a imprensa, que revolucionou toda a comunicação permitindo um melhor acesso a livros, jornais e revistas.

Bem, chega de história e vamos falar sobre o multiculturalismo e a comunicação de uma maneira mais prática.

A comunicação é a base primeva dos contatos humanos e sua falha pode levar à ruptura de relacionamentos, principalmente nos de origem cultural. De acordo com o livro Desenvolvendo Organizações Globais, cada pessoa funciona dentro de seu próprio mundo privado. Nossos modelos mentais são influenciados pelos inputs culturais que recebemos de nossa família, amigos, escola, experiência de trabalho e religião, levando-nos a uma nova Torre de Babel completamente cultural.

O processo de comunicação tenta fazer com que cada um perceba o outro e o entenda. Esse processo acontece através da codificação da mensagem que é enviada pelo emissor, decodificada e interpretada pelo receptor. Quando há profundas diferenças culturais ou etárias, o conflito tende a aparecer e o processo comunicativo pode sofrer ruptura. Um dos exemplos mais óbvio de códigos não compartilhados é a linguagem de cada participante.

Alguns autores renomados, como David C. Thomas e Kerr Inkson, por exemplo, dizem que há uma regra ocidental onde as mensagens verbais devem ser explícitas, diretas e claras. Culturas ocidentais enxergam a verdade e acham que devem afirmá-la. Contudo, muitas culturas da Ásia e do Oriente Médio, acham que não existe verdade absoluta e, frequentemente eles evitam causar constrangimentos e perda da face (lose face para os asiáticos), fazendo com que a comunicação seja implícita, indireta e ambígua.

Quando falamos sobre linguagem direta, a maior parte do seu significado está no seu conteúdo e no que dizemos. Ela pertence normalmente às culturas individualistas, que enfatizam atributos e projetos individuais. Já no modo indireto o contexto é mais importante e relevante, típico de culturas coletivistas, que se preocupam com os outros e que enfatizam a afiliação no grupo.

Outro aspecto importante, principalmente em uma negociação intercultural é o silêncio, pois ele pode ser usado na comunicação propositalmente e de forma estratégica. Os orientais em geral usam o silêncio como meio de controlar os processos de negociação, enquanto alguns povos nórdicos o utilizam para incentivar o outro lado a continuar falando. Em outros países como a Tailândia, ele é usado para demonstrar respeito. No Brasil, em compensação o silêncio aflige as pessoas e as deixa constrangidas. Dificilmente alguém aqui permite que o silêncio se instale em uma conversa, pois se sente mal. Não é à toa que Walt Disney nos representou como o papagaio Zé Carioca!

De acordo com David Thomas e Inkson a interpretação correta do silêncio é um elemento chave para a comunicação culturalmente inteligente.

Como sempre o assunto é apaixonante e longo. Prometo continuar a falar sobre comunicação x cultura de uma próxima vez.

Para encerrar deixo esta frase maravilhosa de Nelson Mandela:  “Se você falar com um homem numa linguagem que ele compreende, isso entra na cabeça dele. Se você falar com ele em sua própria liguagem, você atinge seu coração.”

Comunicação para mim é isso: atingirmos os corações das pessoas.

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